quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Resenha: "O Evangelho Maltrapilho", de Brennan Manning

    Olá, leitores!

    Há alguns dias, comentei sobre o livro que eu faria resenha aqui no blog. Compartilhei minhas ideias sobre o “Cristianismo puro e simples”, do C.S. Lewis, e, dessa vez, desejo falar quais foram meus sentimentos a respeito do “Evangelho Maltrapilho”, do Brennan Manning.

    Bom, o livro é dividido em onze pontos, porém, Brennan pareceu-me um homem muito falante pois deixou, além dos capítulos, “Uma palavrinha para começar” (no início), “Uma palavrinha final” e “Dez anos depois” (encerrando a obra). Farei alguns comentários sobre partes do livro citado. - No primeiro capítulo, o autor relata o grandioso amor de Jesus e fala-nos a respeito do que a Igreja tem feito com esse amor. Por exemplo, um dos pontos mais tocados é o fato de vermos muitas pessoas rejeitarem outras por seus pecados, classes sociais e diversos outros fatores, esquecendo-se que somos todos falhos e carecemos da graça de Deus.

    Na segunda parte da obra percebi, na página 38, que Brennan se vale de grandes afirmações, todavia, algumas delas não foram bem postas. Ele diz: “O cristão vive pela graça como filho de Abba, rejeitando por completo o Deus que pega as pessoas de surpresa ao menor sinal de fraqueza - O Deus incapaz de sorrir diante de nossos erros desajeitados, o Deus que não aceita um lugar em nossas festividades humanas, o Deus que diz ‘você vai pagar por isso’, o Deus incapaz de compreender que crianças sempre se sujam e são distraídas, o Deus eternamente bisbilhotando à caça de pecadores”.  Bom, sabemos que o Senhor aceita-nos como somos, porém, no decorrer da caminhada passamos por um processo chamado santificação, ou seja, vamos a Jesus como estamos mas não permanecemos da mesma maneira. - “Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês (1 Pedro 1:17)”. Antes, Pedro, no mesmo capítulo, exorta e ensina-nos a andarmos com santidade e procurarmos ser santos como Ele é Santo.

    Ainda no mesmo capítulo, o escritor faz algo incrível. Brennan compartilha conosco um famoso sermão de Martinho Lutero, do Natal de 1522: "Ah! Se Deus permitisse que minha interpretação e a de todos os outros mestres desaparecessem, e que cada cristão pudesse chegar diretamente à Escritura apenas, e à pura Palavra de Deus! Percebe-se já por esta tagarelice minha, a incomensurável diferença entre a palavra de Deus e todas a palavras humanas e como homem algum pode, com todas as suas palavras, adequadamente alcançar e explicar uma única palavra de Deus. Trata-se de uma palavra eterna e deve ser compreendida e meditada com uma mente silenciosa. Ninguém é capaz de compreendê-la a não ser a mente que a contempla em silêncio. Para qualquer um capaz de fazê-lo sem comentário ou interpretação, meus comentários e os de todos os outros não seriam apenas inúteis, mas um estorvo. Vão para a própria Bíblia, caros cristãos, e não permitam que as minhas exposições e as de outros estudiosos sejam mais do que uma ferramenta que capacite a edificar de forma eficaz, de modo que sejamos capazes de compreender, experimentar e habitar a simples e pura Palavra de Deus, pois apenas Deus habita em Sião".
    O quarto ponto mostra a importância de reconhecermos erros. Devemos ter humildade; um espírito pobre. Jesus, em Mateus 5:3, diz que “Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos céus”. Brennan, na página 82, escreve: “A pessoa que é pobre no espírito percebe que não ama os outros tanto quanto desejaria o seu coração”; e na 83: “Da mesma forma, o pobre em espírito percebe que a experiência religiosa e os ‘ápices’ místicos não são o objetivo da oração autêntica; o objetivo é a comunhão com Deus”.

    Não existe possibilidade de fazer com que o capítulo cinco passe em branco ou despercebido. Esse ponto mostra a grandiosidade da graça, sua magnificência. A graça se mostra em tudo, nos mínimos detalhes. Na página 89, o autor faz um dos mais belos relatos de “O Evangelho Maltrapilho”: “De modo geral, o mundo perdeu o senso de assombro. Crescemos. Já não perdemos o fôlego diante de um arco-íris ou do perfume de uma rosa, como acontecia antes. Ficamos maiores e todo o resto ficou menor, menos impressionante. Tornamo-nos apáticos, sofisticados e cheios da sabedoria do mundo. Não deslizamos mais os dedos sobre a agua, não gritamos mais para as estrelas nem fazemos caretas para a lua."

    No sexta parte o autor relata seu pensamento sobre tantos estudos e reproduções que têm sido realizadas. Por exemplo, ele diz que “quanto mais o reproduzimos, mais esquecemos a respeito Dele e da agonia da sua terceira hora”. Pensando sobre isso cheguei a conclusão de que, realmente, muitos estudos são feitos, teses são levantadas e discussões infindáveis alimentadas. Paulo escreve a Timóteo dizendo: “Evite as controvérsias tolas e inúteis, pois você sabe que acabam em brigas” (2 Timóteo 2:23).

    Nas divisões seguintes, Brennan fala sobre a importância de não nos isolarmos em nossas próprias racionalizações, nem tomar justiça própria e esconder pecados e defeitos. Luta contra a desonestidade, presunção e religiosidade e comenta sobre a rotina que nos afasta do Mestre. Nas palavras finais do livro vemos parágrafos que retratam a estrada do maltrapilho, que sempre conduz ao Calvário.

    Por fim, desejo dizer-lhes que esse livro tem uma temática impressionante: reconhecermos que sem Jesus não somos nada e que carecemos de sua misericórdia. Discordei de algumas teses e afirmações, porém, é um bom livro. A linguagem usada por Brennan Manning é de fácil compreensão e faz com que lembremo-nos do dia a dia percebendo, assim, pontos que precisam ser trabalhados.

    Copyright © 1990, 2000 por Brennan Manning
    Publicado originalmente por Multnomah Publishers, Oregon, EUA.

    Brennan Manning nasceu em Nova York e faleceu em Nova Orleães, Luisiana, EUA.
     
    Agradeço sua visita e leitura. A próxima resenha do blog, provavelmente, será com o livro “Grandes Esperanças”, de Charles Dickens - o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana. 
    
 Jesus te ama!
    Graça e paz.